Defesa do Património Vernacular – Estaleiros de Lai Chi Vun, Macau

Decorreu recentemente uma petição online, para que o governo de Macau suspenda a demolição dos estaleiros de Lai Chi Vunna ilha de Coloane, Macau, que contribuiu para a decisão de proteger e avaliar este património.

Os Estaleiros de Lai Chi Vun representam a memória de uma indústria naval que em Macau teve grande importância, sobretudo numa época em que Macau dependia quase exclusivamente das vias marítimas. Este conjunto construído constitui uma forma de património arquitetónico – vernacular – que sendo construído pelos próprios carpinteiros valida uma identidade cultural própria.

A petição defendia a manutenção das estruturas de madeira dos Estaleiros e sua recuperação para instalação de atividades ligadas à cultura; desde áreas museológicas, artesanato, ateliers artístico-pedagógicos e zonas lúdicas.

O governo chegou a demolir duas das dezoito estruturas de madeira existentes alegando condições de segurança sem contudo haver um estudo ou ideia sobre o que se fazer seguidamente.

Esta petição não foi a única mas tinha o intuito imediato de parar a demolição. Outras petições surgiram e protestos junto ao Instituto Cultural pedindo a este que avaliasse o valor patrimonial.

O governo de Macau comunicou no dia 28 de Março que tinha suspendido a demolição e que daria o prazo de um ano para que o Instituto Cultural produza a sua classificação.

Os estaleiros em causa tratam-se de estruturas anfíbias em madeira que se erguem sob uma das baías de Coloane. Durante séculos dali saíram centenas de juncos e outras embarcações de pesca até meados de 2003 quando as encomendas para embarcações caíram a pique. Ali ficou uma aldeia com várias famílias e mestres carpinteiros que têm tentado sobreviver com dificuldade. Fundaram uma associação e  actividades conjuntas.

Um mestre construtor fabrica hoje em dia miniaturas de embarcações e dizia o filho amarguradamente que ainda existe o conhecimento sobre a construção e que seria uma pena se perder assim. Outra família abriu um café e aos poucos tem vindo a tornar-se um local turístico  alternativo onde algumas pessoas encontram um Macau antigo com uma identidade que já é difícil encontrar. As estruturas começam a degradar-se e a população tem esperança que o governo desenvolva algum esforço para as integrar dentro de um novo plano desconhecido.