Sessão #17

“Águas que curam” — Workshop de plantas medicinais

Data: 16 de maio de 2026
Local: Lavadouro das Fontainhas e hortas adjacentes
Duração: 14h30 – 16h30


“Águas que curam” toma como mote o Lavadouro e o elemento água para refletir sobre modos alternativos de terapia e sobre formas de nos ligarmos à vegetação espontânea que nos rodeia.

O workshop terá lugar no Lavadouro das Fontainhas, espaço que guarda marcas da memória coletiva das gentes que ali se juntavam para lavar roupa. Também o topónimo ‘Fontainhas’ está intimamente ligado à água: deriva do latim fontanīna, que significa ‘fonte pequena’, numa alusão às numerosas fontes e nascentes que outrora abundavam nesta zona da cidade.

Aqui, nesta varanda sobre o rio Douro, vamos partilhar diferentes métodos de extrair os compostos químicos das plantas medicinais através da água, como a infusão, a decocção e a maceração. Os participantes aprenderão a preparar remédios caseiros à base de água para tratar sintomas relacionados com a água nos nossos corpos — como infecções urinárias, expectoração, retenção de líquidos, desidratação, diarreias, furúnculos, menstruação abundante —, tirando partido dos benefícios terapêuticos das espécies vegetais espontâneas colhidas previamente no Ramal da Alfândega. Daremos especial atenção às plantas que também estão, de alguma forma, associadas à água: seja por despontarem em zonas húmidas ou periodicamente alagadas, como a hortelã-de-burro, a morugem e o agrião; seja por possuírem folhas hidrofóbicas (isto é, que repelem a água), como a capuchinha; ou por serem espécies ribeirinhas, como o sabugueiro.

Através destas práticas, propõe-se também reconhecer a água como elemento de cuidado — tanto nos nossos corpos como nos ecossistemas que habitamos.



Público-alvo

Adultos, > 17 anos



Parceiros do Projeto nesta sessão

A Recoletora
A Recoletora é a prática artística e pedagógica do artista visual Alexandre Delmar (Porto, 1982) e da designer Maria Ruivo (V. N. Famalicão, 1986), dedicada ao estudo dos lugares de reciprocidade e interação entre as comunidades humanas e as vegetais. No seu trabalho, a dupla alia uma ação contínua de pesquisa, inventariação e mapeamento das plantas espontâneas comestíveis e medicinais ao resgate de conhecimentos ancestrais e contemporâneos, numa lógica didática que propõe uma redescoberta da cidade através da recoleção e da deambulação pelos territórios do baldio urbano.
Explora temáticas relacionadas com a autonomia alimentar, a recoleção, o herbalismo, o saber-fazer, a paisagem, a memória, a etnobotânica e a literacia ecológica, promovendo ações colaborativas como cartografias, caminhadas guiadas, workshops, refeições, conversas, instalações comestíveis, exposições e publicações.

Fernanda Botelho
Fernanda Botelho (Sintra, 1959; vive e trabalha a partir de Sintra) é especialista em plantas silvestres, nomeadamente nos seus usos medicinais e culinários. Viveu 17 anos em Inglaterra onde fez formações em Botânica, Fitoterapia e Pedagogia. Estudou plantas medicinais na Scottish School of Herbal Medicine (1997). Tem o Curso de guia de jardim Botânico da Universidade de Lisboa (2006). É colaboradora do programa Eco-Escolas e autora de uma coleção de livros infantis: Salada de Flores (2011), Sementes à Solta (2013) e Hortas Aromáticas (2016). Escreveu As plantas e a saúde (2013), Uma mão cheia de plantas que curam — 55 espécies espontâneas em Portugal (2016), Ervas que se comem (2021), Flores que se comem (2022), Plantas do Mundo (2023) e o recém-lançado Árvores que se comem (2024). Publica anualmente, desde 2010, uma agenda de Plantas Medicinais. Organiza passeios guiados e workshops de reconhecimento de plantas a convite de várias entidades. Colabora, desde 2021, com A Recoletora.