Sessão #24
“Fontaínhas Invisíveis, Fontaínhas Vivas” — Oficina de Fermentação
Data: 4 de julho de 2026
Local: Lavadouro das Fontainhas
Duração: 15h30 – 17h30
A vigésima quarta sessão do projeto Cultivar a Proximidade propôs uma experiência participativa de descoberta e aprendizagem em torno da fermentação, conduzida pela designer e investigadora Mónica Esteves. Intitulada “Criaturas Invisíveis: Cria e Cuida do Teu Próprio Microecossistema”, a oficina convidou os participantes a explorar as relações entre alimentação, ecologia e os microrganismos que habitam o nosso quotidiano, mas que raramente são observados.
Partindo da fermentação como processo biológico e cultural, a sessão procurou revelar a presença de formas de vida invisíveis que participam continuamente na transformação dos alimentos e dos ecossistemas. A atividade iniciou-se com uma prova sensorial de vegetais fermentados, permitindo aos participantes descobrir diferentes sabores, aromas e texturas resultantes da ação destes organismos microscópicos.
A partir desta introdução, os participantes foram convidados a criar coletivamente uma fermentação vegetal. Num processo colaborativo de preparação dos ingredientes — que incluiu lavar, cortar, salgar e massajar os vegetais — exploraram-se os princípios básicos da fermentação e os mecanismos biológicos que permitem a transformação dos alimentos. Mais do que uma receita, a oficina apresentou a fermentação como um microecossistema vivo, onde diferentes organismos coexistem e colaboram.
No final da sessão, o fermento coletivo foi distribuído por frascos individuais, permitindo que cada participante levasse consigo uma pequena comunidade viva em contínua transformação. Este gesto prolongou a experiência para além da oficina, incentivando a observação, o cuidado e a construção de uma relação quotidiana com os processos invisíveis que sustentam a vida.
Ao cruzar alimentação, ciência, design e participação, a atividade contribuiu para aprofundar a reflexão sobre as interdependências entre seres humanos e outros organismos, valorizando formas de conhecimento assentes na observação, na experimentação e no cuidado.
Objetivos
- Dar a conhecer os princípios básicos da fermentação e dos processos biológicos associados;
- Sensibilizar para a importância dos microrganismos nos ecossistemas e na alimentação;
- Promover experiências práticas de aprendizagem através da participação direta;
- Estimular a observação e o cuidado de processos vivos em transformação;
- Explorar a alimentação como ferramenta de reflexão ecológica e cultural;
- Incentivar práticas alimentares sustentáveis e acessíveis;
- Promover momentos de convívio, partilha e aprendizagem coletiva.
Público-alvo
Jovens e adultos interessados em alimentação, sustentabilidade, ecologia e processos criativos, sem necessidade de conhecimentos prévios sobre fermentação.
Resultados esperados
- Aquisição de conhecimentos básicos sobre fermentação e microbiologia alimentar;
- Desenvolvimento de competências práticas na preparação de fermentados vegetais;
- Maior consciência sobre a presença e importância dos microrganismos na vida quotidiana;
- Promoção de hábitos alimentares sustentáveis e de valorização dos processos naturais;
- Estímulo à curiosidade científica e à experimentação doméstica;
- Reforço das ligações entre alimentação, ecologia e comunidade;
- Aproximação dos participantes a práticas de cuidado e observação de sistemas vivos.
Parceiros do Projeto nesta sessão
Mónica Esteves
Mónica Esteves é food designer, com formação e experiência em arquitetura, design e cozinha. Atualmente desenvolve investigação de mestrado na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde explora a fermentação espontânea como metodologia de design e como forma de cultivar relações de cuidado com o mundo microbiano.
Através do Momonimo, o seu projeto artístico e de design, explora a comida como medium para práticas experimentais e relacionais, trabalhando na intersecção entre food design, design social e ecologias mais-que-humana.
No âmbito do Cultivar a Proximidade, dinamizou uma oficina dedicada à fermentação enquanto experiência coletiva de aprendizagem, cuidado e descoberta dos microrganismos que habitam o nosso quotidiano, tornando visíveis processos ecológicos frequentemente ignorados, mas fundamentais para a vida.