Sessões #21, #22 e #23
Plantas Lavadeiras
Data: 18, 25 e 26 de julho de 2026
Local: Lavadouro das Fontainhas
Duração: 14h30 – 16h00 (todas as sessões)
As sessões 21, 22 e 23 do projeto Cultivar a Proximidade constituíram um percurso participativo de aprendizagem e intervenção ecológica intitulado “Plantas Lavadeiras”, desenvolvido pela dupla artística Landra (Sara Rodrigues e Rodrigo Camacho), em colaboração com o professor Luís Xavier e com alunos da Escola Secundária Carolina Michaelis.
Ao longo de três encontros interligados, os participantes foram convidados a explorar os Lavadouros das Fontaínhas como um ecossistema vivo, cruzando práticas de observação científica, criação artística e ação ecológica. Partindo de uma questão simples — o que vive numa água aparentemente parada? — a atividade procurou revelar a biodiversidade invisível presente neste espaço e refletir sobre o potencial dos lavadouros enquanto lugar de regeneração ambiental e aprendizagem comunitária.
A primeira sessão centrou-se na observação e análise da água dos lavadouros. Através da utilização de microscópios e de metodologias participativas de monitorização ambiental, os participantes identificaram microrganismos, pequenos organismos aquáticos e indicadores biológicos da qualidade da água, aprofundando o conhecimento sobre os processos ecológicos que ocorrem neste habitat urbano.
Numa segunda etapa, os participantes exploraram o conceito de fitorremediação — uma técnica ecológica que utiliza plantas para melhorar a qualidade da água e contribuir para a recuperação dos ecossistemas. Com base nas observações realizadas, foram selecionadas espécies vegetais adequadas às características do local e iniciou-se a instalação de um sistema experimental de regeneração ecológica nos lavadouros.
A terceira e última sessão consistiu na consolidação e apresentação pública do trabalho desenvolvido. O sistema criado passou a integrar um conjunto de plantas aquáticas, substratos e organismos vivos que, em interação, constituem um pequeno ecossistema em evolução. A apresentação permitiu partilhar com a comunidade os resultados do processo, evidenciando a forma como arte, ciência e participação coletiva podem contribuir para novas formas de relação com o património e com o ambiente.
Ao longo das três sessões, os participantes foram incentivados a observar, experimentar, questionar e colaborar, construindo conhecimento de forma coletiva e experiencial. O projeto procurou demonstrar que os Lavadouros das Fontaínhas podem ser entendidos não apenas como património histórico, mas também como espaços vivos de investigação, regeneração ecológica e criação comunitária.
Objetivos
- Promover a literacia ecológica e científica através de metodologias participativas;
- Sensibilizar para a biodiversidade e para os ecossistemas aquáticos urbanos;
- Dar a conhecer técnicas de fitorremediação e regeneração ecológica;
- Incentivar práticas de observação, investigação e experimentação coletiva;
- Valorizar os Lavadouros das Fontaínhas enquanto património vivo e espaço de aprendizagem;
- Promover o envolvimento da comunidade em processos de cuidado e regeneração ambiental.
Público-alvo
Jovens e adultos com idade superior a 13 anos.
Resultados esperados
- Maior conhecimento sobre os ecossistemas aquáticos presentes nos Lavadouros das Fontaínhas;
- Implementação de um sistema experimental de fitorremediação no espaço dos lavadouros;
- Reforço da ligação entre comunidade, património e natureza;
- Criação de um processo colaborativo que articula investigação, criação artística e intervenção ecológica;
- Consolidação dos Lavadouros das Fontaínhas como espaço de educação ambiental e participação comunitária.
Parceiros do Projeto nesta sessão
Sara Rodrigues e Rodrigo Camacho (Landra)
Landra é o nome da prática artística desenvolvida por Sara Rodrigues e Rodrigo Camacho desde 2020. Inspirado nas landras — os frutos dos carvalhos — o projeto procura recuperar valores associados à autonomia, à partilha e à abundância, articulando arte, ecologia e modos de vida sustentáveis.
A partir de uma agrofloresta em desenvolvimento e de uma investigação contínua sobre permacultura, microbiologia do solo e regeneração ecológica, o duo desenvolve projetos que cruzam vídeo, performance, instalação, composição audiovisual e intervenção no espaço público. O seu trabalho explora as relações entre arte e ciência, promovendo processos colaborativos de observação, aprendizagem e cuidado dos ecossistemas.
Luís Xavier
Luís Xavier é biólogo, professor e divulgador científico, com trabalho desenvolvido nas áreas da educação ambiental, botânica e ecologia. Atualmente leciona na Escola Secundária Carolina Michaelis, onde promove atividades de aproximação entre ciência, natureza e comunidade.
Licenciado em Biologia e mestre em Hidrobiologia, possui também formação em Arquitetura Paisagista pela Universidade do Porto. Ao longo do seu percurso tem coordenado visitas guiadas, colaborado na conceção de espaços verdes, participado em projetos de divulgação científica e contribuído para diversas iniciativas de valorização do património natural. É membro fundador da Associação Hortus Conclusus.
No âmbito de Plantas Lavadeiras, contribuiu com o enquadramento científico da atividade, apoiando os participantes na observação dos ecossistemas aquáticos e na compreensão dos processos ecológicos envolvidos na regeneração da qualidade da água.
Escola Secundária Carolina Michaelis
A Escola Secundária Carolina Michaelis colaborou no desenvolvimento da atividade através da participação de alunos e do envolvimento do professor Luís Xavier, contribuindo para a aproximação entre contexto escolar, educação ambiental e comunidade.